segunda-feira, 4 de junho de 2012

A vaidade e a Inveja

‎"Com o passar do tempo, há dois sentimentos que desaparecem: a vaidade e a inveja. A inveja é um sentimento horrível. Ninguém sofre tanto como um invejoso. E a vaidade faz-me pensar no milionário Howard Hughes. Quando ele morreu, os jornalistas perguntaram ao advogado: «Quanto é que ele deixou?» O advogado respondeu: «Deixou tudo.» Ninguém é mais pobre do que os mortos."

(Antonio Lobo Antunes)

sábado, 2 de junho de 2012

Ser feliz sem motivo.

Boicotamos a felicidade que vivemos pedindo, seja para Deus, para nossos mestres, anjos ou entidades nas quais acreditamos. Já repararam que o nosso conceito de felicidade, paradoxalmente, está na conquista de coisas que ainda não experimentamos?

Muitos adoram aquela famosa frase que diz: "Quando desejamos alguma coisa, o Universo conspira a nosso favor" e eu realmente acredito ele conspire, mas que não interfere no nosso livre-arbítrio. Seja lá o que entendemos por Universo, ele não tem uma ordem de valores estabelecida e, como o gênio da lâmpada, não discute os seus desejos e apenas o realiza. E essa realização envolve aquela outra frase famosa que diz: "Cuidado com o que pedes para Deus porque poderás ser atendido".
- Não era bem isso que eu pensava; imaginei que seria diferente... o que eu preciso desejar agora?
Não é muito difícil, basta não desejar "pessoas" e "coisas", imaginando que elas lhe trarão a sonhada felicidade.

Goste do que você tem, invista em seu interior e peça apenas para que o Universo o(a) ajude a ser feliz. Como escreveu Mario Quintana em seu poema "Borboletas":
"O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você.
No final das contas, você vai acharnão quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!"

Não vale apenas para o amor da sua vida, mas também para a própria felicidade.  Como escreveu também Carlos Drummond de Andrade:
"Ser feliz sem motivo é a forma mais autêntica de felicidade"



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quarta-feira, 30 de maio de 2012

STF e Ministério Público - sombras desencontradas

O problema da discussão do caso Lula x Gilmar Mendes x Jobim não pode ser mais considerado como um problema pessoal entre os três. Temos dois ex presidentes, (um do Supremo e outro do Brasil) e um ministro da ativa (Gilmar Mendes) num escândalo real e que não é da mídia como muitos adoram dizer para distrair a atenção dos cidadãos desavisados. Vamos supor que exista mesmo uma corrente de certos veículos da imprensa, mas isto seria querer culpar o gravador pela escuta gravada ou o termômetro pela febre.

O Supremo e o Ministério Público devem assumir esse caso por meio de suas prerrogativas institucionais, pois, o que está em jogo não são credibilidades pessoais, mas a credibilidade da instituição máxima deste país, superior até à própria Presidência da República e ao Congresso Nacional. O STF virou o centro das atenções, principalmente com o caso do Mensalão e do Ficha Limpa, os mais polêmicos dos últimos tempos. E quando a corte máxima perde a credibilidade, ou ela tenta se aprumar ou implodirá, causando muito sofrimento para todo país. Um país que passa por uma fase econômica favorável que nunca passou, seja interna ou internacionalmente, mas que está sendo desperdiçada por roubos e desvios de dinheiro público, como NUNCA ANTES NESTE PAÍS.

A CPI chapa branca é outra vergonha nacional, coisa que o Congresso majoritário é mestre em fazer. TODOS que tiveram contato com essa cachoeira de água podre devem ser inquiridos, indiscriminadamente, por mais que sejam AMADOS por Vacarezza e Marco Maia. Até Gilmar Mendes se a Constituição permitir. O que não podemos admitir é o estabelecimento de um poder paralelo, à revelia da Carta Magna do país.

E essa responsabilidade, queiram ou não, está nas mãos do Supremo Tribunal Federal e do Ministério Público, instituições que correm sério risco de se unirem à parte sombria da história deste país.

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domingo, 27 de maio de 2012

Lula emburreceu

Depois da doença, Lula emburreceu. Essa conversa com o ministro Gilmar Mendes foi a estratégia política mais burra dos últimos tempos. Mesmo que Lula tivesse tomado apenas um cafezinho com Mendes e não tivesse falado absolutamente nada, já atrapalharia seu próprio partido e todos os candidatos do PT que concorrem às eleições de 2012 e, de quebra, o julgamento do Mensalão.

Como o próprio Jobim confirmou o encontro, o que Lula falou ou deixou de falar não faz a menor diferença. Lula acaba de complicar o STF, aumentando ainda mais a pressão sobre esses dois temas e o número de brasileiros atentos para a decisão do Supremo.

Isso é sinal de que como presidente Lula fazia exatamente a mesma coisa. A única e grande diferença é que agora ele é um cidadão comum e suas andanças podem ser conferidas por qualquer um, coisa que antes não acontecia. Acabou a privacidade constitucional do tagarela.

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sexta-feira, 25 de maio de 2012

Perdoa-se na medida que se ama

Existe uma expressão popular que diz "teatro da vida". Essa expressão foi criada para explicar certas coisas que acontecem conosco e que nos consolemos diante de fatos aparentemente inesperados. Foi criada também para quando precisamos justificar nossas próprias ações e evitar sermos torturados pelos conceitos de certo e errado que desenvolvemos durante a nossa vida. Como bem disse Nietzsche "Quando adestramos a nossa consciência, ela beija-nos ao mesmo tempo que nos morde."

Na verdade não há fatos inesperados quando procuramos entender os sinais que a vida nos dá, mas nossa percepção desses sinais está mais ligada ao fato de não conseguirmos ou até de não querermos vê-las do que à sutileza com que eles se manifestam. Quando existe paixão, sentimento que não passa de um desequilíbrio das nossas emoções, raramente percebemos esses sinais, pois, nada mais forte que o ego para sufocar nossa sensibilidade e nossa razão. E esta paixão a qual me refiro, não se refere unicamente ao amor carnal, mas a qualquer tipo de obstinação.

A vida não é um teatro, mas permite que nela representemos papéis. Alguns espiritualistas dizem que este mundo é fenomênico ou simplesmente um mundo de ilusões. Embora exista uma certa razão nessas palavras, isto não significa que, diante dessa realidade, poderíamos abandonar a busca por nossas verdades ou, simplesmente não sentirmos as "mordidas" da nossa consciência, mas apenas nos deleitarmos com seus "beijos" (Nietzsche).

Alguns terapeutas- sejam eles psicólogos, psiquiatras, espiritualistas ou os que escrevem livros de auto-ajuda - costumam usar argumentos assertivos para atenuar as fases negativas (mágoas e arrependimentos) de seus pacientes ou leitores para que estes resgatem sua auto-estima. No entanto, não promovem uma análise assistida do contraponto que originou o negativismo, ou seja, o arrependimento foi neutralizado, mas por que ele existia? Será mesmo que ele não existe mais ou foi encoberto pelo argumento assertivo que "compramos" para podermos sair do buraco? Esses terapeutas colocam apenas esparadrapos na alma!

Cansei de ver terapeutas e espiritualistas pobres que passaram a defender o direito à riqueza, mas apenas depois que ficaram ricos. Cansei de ver também religiões que pregam o desprendimento material, mas mantém seus cofres cheios às custas do desprendimento induzido de suas ovelhas.

Não... a vida não é um teatro, embora sejamos atores e ela nos permita representar nossos papéis. Ela não escreve roteiros, mas registra todas as histórias enquanto se desenrolam e as vai arquivando no "akasha". Não se maltrate, mas também não deixe nada por muito tempo debaixo do tapete porque uma hora você vai tropeçar. Duvide, mas busque a sua verdade; odeie, mas entenda o seu ódio; tenha mágoa, mas entenda a sua mágoa; ame, mas sinta o verdadeiro amor; perdoe, mas só depois que aprender a amar. Amar os outros e a si mesmo.

Como escreveu La Rochefoucauld: "Perdoa-se na medida que se ama."

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